vendas@metalmag.com.br 11 5523-8400


A Guerra Mineral

28 de agosto de 2012

Países denunciam a China para ter acesso a metais vitais na indústria de alta tecnologia

 

São incontáveis as guerras travadas para obter recursos naturais. Os exemplos vão da Guerra do Golfo, em 1991, aos conflitos de séculos entre franceses e alemães em torno da Alsácia-Lorena, região rica em ferro e carvão. Na indústria de alta tecnologia, os metais terrasraras sao insumos tão essenciais quanto o carvão foi na Revolução Industrial. Esses minerais (não confundir com metais raros, como ouro ou prata) conferem características especiais a ligas metálicas sem as quais seria difícil imaginar a existência de equipamentos de última geração, entre eles iPhones, lasers e carros híbridos, como o Prius (veja o quadro), O neodímío, por exemplo, 6 usado para produzir o ímã mais poderoso de que se tem notícia, e graças a ele os celulares podem vibrar. Para manterem acesso irrestrito a esses metais, as maiores potências prometem se lançar em uma nova batalha, mas, desta vez, nos tribunais da Organização Mundial de Comércio (OMC). trincheira na qual são travadas as atuais disputas econômicas. O consumo mundial dos dezessete elementos chamados de terras-raras hoje 6 de 150000 toneladas por ano, e só tende a crescer. Hoje, quase todo o fornecimento sai de minas chinesas. Em 1992, o então líder do Partido Comunista » Deng Xiaoping, teria dito que, se “o Oriente Médio tem petróleo,  nós temos os elementos terras-raras”. A frase tem um quê de exagero (afinal, a China detém cerca de metade das reservas conhecidas), mas o fato é que os chineses dominam esse mercado desde a meiade da década de 80. O baixíssimo preço no passado e os enxutos custos  de produção na China fizeram com que empresas de outros países não se interessassem pela exploração desses elementos. Resultado: o planeta ficou nas mãos da China. Estima-se que 97% da demanda mundial seja suprida pelo país.
Agora o governo chinês passou a estabelecer cotas de exportação. Os preços dispararam. O quilo do óxido de lantãnio, que já custou 4 dólares, chegou a mais de 150.
Na terça-feira, os Estados Unidos, a União Européia e o Japão entraram com uma ação conjunta na OMC para denunciar supostas restrições da China no fornecimento. Editorial publicado pela agência de notícias oficial chinesa Xinhtta classificou a ação na OMC de “imprudente e injusta” e disse que “a exploração excessiva impactou o ambiente”, por isso se fazia necessário o controle da produção.
Novas jazidas deverão começar a ser exploradas em outros países, como a Austrália e os Estados Unidos. O Brasil é detentor de grandes reservas. Até suas minas serem estatizadas nos anos 60 e entrarem em decadência, esses minerais eram extraídos e processados no Brasil. A monazita (mineral que contém terrasraras) tem ocorrência comum na areia de praias do Espírito Santo e da Bahia. Agora, grupos privados estudam prospectar essas riquezas minerais.

Revista VEJA – 21 de Março de 2012

Voltar